José Vasconcellos, Denmark / Brazil

Artist:José Vasconcellos, Denmark / Brazil

José Madureira Vasconcellos is a reknowned international painter. He was born in Brazil, and he was educated at the Academy of Fine
Arts in Belo Horizonte and Rio de Janeiro. He has been settled in Danmark since 1974.
1961-1972 – Vasconcellos studes in the Academy of Fine Arts (BH and RIO). Afterwards he teaches History of Art in the Gamma Filho
University and at the UCMG in the Instituto Villa Lobos. It is an arid period of production, because of the strict control and
censure of the Military regime in Brazil.
1973 - Vasconcellos and his wife pianist Valeria Zanini settle in Chile. He has exhibitions in Galllery Carmen Waugh, Santiago as
well as the National Museum of Fine Arts of Santiago. He becomes a professor at Chile University and also paints various frescos for
the O´Higgins Park.
1974 to 1979 - After the Military Coup of Pinochet, Vasconcellos and Valeria Zanini settle in Danmark in January pf 1974. During
these first years in Denmark, Vasconcellos exhibits in: Gallery Helliggest, Gallery Moderne, Gallery Passepartout, Dansk Kunstmesse
(Danmark), Museum of Erotic Art in San Francisco (USA), Gallery Reflets (Belgium), Gallery Fabien Boulakia in Paris and Georges
Veyrat of Port Grimond (France), as well as Koln Kunst Kabinet, Colonie (Germany).In 1978 Vasconcellos and Valeria Zanini win the
Price of "Dronning Ingrids Romersk Fond" and go to Accademia di Danimarca in Rome and Bienale di Potenza, Vicenzo Bitteti (Italy). He
returns toCopenhagen and makes 11 lithographs in the atelier of Hostrup Johansen, Copenhague.
1980 to 1990 – Vasconcellos exhibits in: Gallery Bonino in Rio de Janeiro as well as Palcio das Artes and Gallery Novo Tempo in Belo
Horizonte (Brazil). In Denmark he works with Gallery Moderne, Gallery Huset, Charltenborg Her og Nu, Galery Knabro, Gallery Blidha.
He also continues with Koln Kunst Kabinet in Germany and Gallery Art Conseil in Paris as well as Centre Culturel de Blagnac
inToulouse (France).
1990 to 2000 – Vasconcellos exhibits in: Dan Galeria, São Paulo and Gallery Colans, Belo Horizonte(Brazil). In Denmark he works with
Grupo Kontrapunkt, Gallery Sisanne Højriis, Gallery Knabro, Gallery Blidha, forum Arts and outside the borders he exhibits in the
International Art Fair, Pragueand Art Comet (Czech Republic). He makes the album The Deccameron with 6 colors metalgraphs.
2001 to 2010 - Vasconcellos exhibits in: Gallery Gerly, Herning Kunst Messe, Forum Arts, Gallery Polka Dot, Lauritz Kunstaktion and
Gallery Eros in Denmark. He wins the prestigious Price "Jyllands Postens Kunst Fond" (Copenhagen-Berlin). He continues to work in
many other European countries, with new connections: Gallery Art Cubic, Barcelona (Spain); Gallery Marco Gregovic, Petrovac
(Montenegro); Gallery Progress, Belgrad (Serbia); Art Kontact2002, Karlovy Vary and Libuse Muller (Czech Republic); Pequena Galeria,
Belo Horizonte, Museum of Contemporary Art in Goiás and Espaco Cultural do Congresso Nacional, Brasilia as well as Galeria L Potrich,
Arte Contemporanea, Goiania, Banart, Galeria de Arte, Londrina (Brasil). And Harbo Art Gallery in Malmö (Sweden). He is currently
preparing exhibitions to the Asgherholm Gallery in Danmark, Gallery Scheider inGermany and Galery Potrich in Brazil.
English
José Madureira Vasconcellos is a reknowned international painter. He was born in Brazil, and he was educated at the Academy of Fine
Arts inBelo Horizonte and Rio de Janeiro. He has been settled in Danmark since 1974.
1961-1972 – Vasconcellos studes in the Academy of Fine Arts (BH and RIO). Afterwards he teaches History of Art in the Gamma Filho
University and at the UCMG in the Instituto Villa Lobos. It is an arid period of production, because of the strict control and
censure of the Military regime in Brazil.
1973 - Vasconcellos and his wife pianist Valeria Zanini settle in Chile. He has exhibitions in Galllery Carmen Waugh, Santiago as
well as the National Museum of Fine Arts of Santiago. He becomes a professor at Chile University and also paints various frescos for
the O´Higgins Park.
J. Vasconcellos is one of the most important Brazilian painter. Today he lives in Europe and has several exhibitions every year in
various corners of the world. International art critics have described Vasconcellos' art as part of the Fantastical Realism and the
Modern Symbolism. His colors and his exceptional technique have given Vasconcellos a respected and admired name. He is known for his
unique use of the spatula and choice of pigments and vegetal resine.
His universe of symbols result from his dreams and from the memories of his childhood - but also very much from the current dreams of
the artist today.
Vasconcellos' work hangs in many art galleries in the world, in contemporary Art Fairs and Museums, and in the private homes of
collectors and fans. He received various awards, including the Queen Indrid from Denmark, the Jyllands Post Kunst Legat and the Gold
Medal of the Bienale of Brasilia

 

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Andalucia, da série Musas: a imagem mulher é central na obra do artista. Foto: Divulgação
Andalucia, da série Musas: a imagem mulher é central. Foto: Divulgação

Mas se uma boa parte dos tipos femininos que habitam as suas telas não exibe exatamente os traços de Valéria Zanini − a goiana que se mudara para o Rio à época para estudar piano com Arnaldo Estrella e que deixara Vasconcellos tão maravilhado quando a viu pela primeira vez na escadaria do Instituto Villa-Lobos −, o fato é que ela tornou-se não só uma inspiração permanente para o artista, como também a sua companheira por mais de 40 anos. Um relacionamento que só terminou com a morte da pianista, aos 65 anos, vítima de câncer, em fevereiro de 2016.

O luto pela morte da mulher representou um momento de inflexão na trajetória de Vasconcellos. No universo particular que ele delineia em suas pinturas – povoadas pelos objetos que remetem à sua infância em Minas, ao sótão da fazenda do avô, onde passava horas como um arqueólogo vasculhando a memória familiar, em meio a móveis, brinquedos, roupas, chapéus e retratos antigos −, a figura feminina deixou de reinar soberana para dividir espaço com outras formas de expressão corporal. O artista passou a se interessar também pela anatomia masculina, embora os jovens efebos que surgem nos seus quadros mais recentes exibam uma beleza antes andrógina do que propriamente viril.

J_Vasconcellos-Baco, da série Deuses, Anjos e Demônios: jovens efebos-1-595x800
Se as formas humanas que costuma retratar se diversificaram, Vasconcellos, no entanto, continua fiel a seu repertório, que os críticos classificam dentro da corrente pertencente ao realismo mágico. Esse repertório é repleto de símbolos e arquétipos, os quais o artista denomina como manifestações dos seus sonhos, dos seus “relicários”.

Uma boa incursão pela obra do pintor mineiro pode ser feita até o dia 17 de agosto, na mostra Arquétipos – Relicários da Memória, na Potrich Galeria de Arte, no Jardim Goiás. Ao lado das bonecas, dos carrinhos de bebê, dos vestidos e de outros objetos desconcertantes que parecem extraídos de uma arca fantástica e imemorial, passeiam pelas telas figuras masculinas e femininas enigmáticas e sedutoras, seres de um mundo onírico que nos perturbam e encantam.

J_Vasconcellos-Tela da série Relicários da Memória: técnica muito pessoal. -da-memoria-534x800
Além dos pigmentos, que lhe proporcionam os tons básicos da sua pintura – o azul, o vermelho e o ocre –, outro material que o auxilia a imprimir um estilo tão único à sua obra é a espátula. O instrumento tem sido cada vez mais utilizado pelo artista, que aos poucos foi abandonando os pincéis e hoje os emprega basicamente para trabalhar detalhes das telas. Vasconcellos prefere a espátula de borracha, porque é mais flexível. Por conta disso, quando dá aulas no Brasil, os seus alunos são obrigados a improvisar. “Aqui é muito difícil encontrar espátula de borracha, só a de metal. Os alunos, então, correm para essas borracharias para pegar um pedaço de borracha, que eles mesmo cortam a partir do desenho que faço, e improvisam.”

Ele revela ainda que ninguém consegue imitá-lo ou falsificá-lo. “A minha técnica é muito pessoal. Tem certos detalhes que eu faço com a espátula, sobretudo os de fundo, que ninguém é capaz de fazer igual. Isso eu não transmito, nem para os ‘aprendizes’ que frequentam o meu ateliê. Outra coisa que é segredo: a dosagem da resina e do pigmento eu não revelo para ninguém. A fórmula não revelo. Ensino como fazer, como misturar os pigmentos, mas não revelo a medida. Isso é meu, pessoal.”

J_Vasconcellos-Série-Carmen, da série Musas do artista: fixação pelo corpo feminio MUSAS-Carmen-60-x-70-1-595x800

J_Vasconcellos-Série-MUSAS-Velazqueanas: olhos vendados em reverência a VelázquezVelazquianas-600x800
A ascendência do primeiro é mais nítida nas suas telas – vide a série Velazqueanas, uma homenagem à obra do pintor espanhol da qual o artista mineiro separou alguns exemplares que podem ser vistos na exposição da Potrich. Na composição das telas que compõem a série, Vasconcellos teve o cuidado de desenhar as suas próprias “meninas” com os olhos vendados, em respeito a Velázquez. “Ninguém nunca conseguiu pintar os olhos das mulheres como ele, nem o Leonardo. É uma coisa fantástica”, justifica o artista.

J_Vasconcellos-SeRIE-Obra da série Sonhos e Arquétipos: rico universo imagético-ARQUÉTIPOS-600x800
Vasconcellos, que também tem experiência como ilustrador – já fez capas de livros de autores como Vargas-Lhosa, García Márquez e Jorge Amado para edições dinamarquesas –, ainda encontra fôlego para desenhar rótulos de edições especiais de vinhos, a serviço da Martelli, uma grande produtora e distribuidora italiana. As garrafas com rótulos ilustrados por Vasconcellos e mais outros nove artistas da Europa são produzidas como brindes para sommeliers e colecionadores. “Assim, em vez de ter a arte na parede, eles têm na adega”, graceja.

Ouvinte apaixonado de ópera e de música clássica, Vasconcellos adora também música caipira autêntica, não essa sertaneja comercial e descartável. É um aficcionado da leitura, mas daquela que ajuda a descansar a cabeça depois de uma jornada dura no ateliê. É aí que entram Poirot e Miss Marple, os detetives de Agatha Cristhie, com as suas deduções brilhantes e imprevisíveis na elucidação de um crime misterioso.